Serra da Mourela (Poço das Rãs), 1 de Maio de 2014
“Charneca em
Flor”
Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito
das coisas dolorosas…
Sob as urzes
queimadas nascem rosas…
Nos meus
olhos as lágrimas apago…
Anseio! Asas
abertas! O que trago
Em mim? Eu
oiço bocas silenciosas
Murmurar-me
as palavras misteriosas
Que
perturbam meu ser como um afago!
E, nesta
febre ansiosa que me invade,
Dispo a
minha mortalha, o meu burel,
E, já não
sou, Amor, Soror Saudade…
Olhos a
arder em êxtases de amor,
Boca a saber
a sol, a fruto, a mel:
Sou a
charneca rude a abrir em flor!
Florbela Espanca