Barroso, 19 de Janeiro de 2014
"Fanatismo"
Minha alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes
lida!...
«Tudo no mundo é frágil, tudo passa…»
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de
rastros:
«Ah! Podem voar mundos, morrer
astros,
Que tu és como Deus: princípio e
fim!...»
Florbela Espanca
