19 de Janeiro
Às 7h o despertador
toca, saio da cama, visto um casaco, abro a porta e saio para dar uma pequena
volta. Enquanto caminho, faço curtas paragens para olhar em redor. A pequena
aldeia de Penedones e as montanhas que se espraiam por detrás do aldeamento encontram-se
cobertas por um admirável e imaculado mundo branco. Tinha caído um forte nevão
durante a noite e madrugada. Havia sido informado sobre a possibilidade de queda de neve acima dos 1000 metros, mas não estava de
todo à espera que a cota baixasse e a neve caísse com esta intensidade abaixo dos 800m.
Entro em casa, tomo o
pequeno-almoço e preparo a mochila. O nevão poderia por em causa o plano que
tinha delineado para este segundo e último dia desta "aventura" pelo Barroso. Teria que ser
(ainda) mais cauteloso e evitar correr riscos desnecessários. Não caminhar por trilhos em más condições,
contornar as vertentes mais altas e íngremes da montanha (onde certamente a
acumulação de neve seria maior) e evitar a travessia de pequenas corgas
e ribeiros seriam factores determinantes para concluir a jornada em total segurança.
Saio da aldeia de Penedones
e sigo por um antigo caminho rural em direcção à vizinha Castanheira da Chã. Num
ápice estou já a percorrer as ruelas da fantasmagórica
aldeia, onde, como é natural, sou o único que por ali anda, embora algumas
pessoas tenham já se levantado, a julgar pelo fumo que lentamente vejo sair das
chaminés de algumas casas. À medida que ganho altitude vai-se tornando cada vez mais constante e audível o “Crac, Crac” dos meus passos na neve gelada.
Pisar aquela brancura imaculada, virginal, foi para mim um sentimento de enorme alegria e êxtase. Um pouco antes de chegar ao colo (ponto mais baixo situado entre duas montanhas) do Boqueiro
do Avelar o vento começa a soprar com bastante intensidade, arrastando consigo
alguma neve. Decido abrigar-me provisoriamente no interior de um pinhal, onde, e vá-se lá saber porquê, aproveito a pausa para erguer um pequeno boneco de neve J
Determinado, prossigo
a marcha em direcção ao Fojo do Lobo do Avelar e “conquisto” o cume da montanha
onde há muitos anos atrás o povo da região erigiu uma pequena e rudimentar capela
em homenagem a Nossa Senhora das Treburas. O local é também um dos mais
conhecidos e belos miradouros naturais da região do Barroso.
À medida que me aproximo do fim os meus passos tornam-se cada vez mais demorados, mas não sinto cansaço. Visito o
já conhecido parque de lazer da Corujeira e relembro anteriores visitas estivais onde, invariavelmente,
acabava por dormitar uma curta sesta deitado na erva verde e fresca. A sensação de o
ver branco como neste dia foi… estranha, mas ao mesmo tempo
maravilhosa! Do miradouro homónimo contemplei belas e brancas vistas sobre a
pequena vila de Montalegre e o imenso vale do Alto Cávado. O vento começa novamente a soprar forte e vejo uma ameaçadora massa de nuvens aproximar-se da vila. Dentro
em breve voltaria a nevar. Desço e procuro abrigo nas quentes e acolhedoras
paredes de uma casa barrosã.
Pedro Durães
Aldeia de Penedones às primeiras
horas de um novo dia
Lameiros cobertos por um admirável e
imaculado mundo branco
Serra do Barroso “pintada de branco”
Apesar de não ser bem visível na
foto, no canto superior direito encontra-se o casario da aldeia de Castanheira
da Chã
A partir daqui seria só “Crac, Crac…”
J
Carvalhos cobertos por um majestoso manto
branco
Zoom ao colo do Boqueiro do Avelar
Uma efémera recordação da minha passagem por este local
Fojo do Lobo do Avelar
“Janela” para o vale do Alto Cávado
Carvalhal do Avelar
Capela de Nossa Senhora das Treburas
E aqui está um dos mais belos miradouros
da região do Barroso
Parque de lazer da Corujeira
«Let it snow,
let it snow, let it snow»
Zoom à pequena urbe barrosã
O belo e imenso vale do Alto Cávado
