Há lugares assim… a
gente vai lá pela primeira vez, acabamos por voltar uma segunda, faz-se planos para
uma terceira visita… e quando vamos a dar conta já nem sequer sabemos a
quantidade de vezes que por lá passamos. E no entanto, acabamos sempre por
voltar, invariavelmente. Assim foi, uma vez mais.
Depois de vários dias
de céus encobertos, finalmente o sol outonal acabou por dar um ar da sua graça,
presenteando-nos com um belo dia de S. Martinho. Aliás, não podíamos ter sido
mais afortunados em relação ao dia propriamente dito. Para além das excelentes condições
meteorológicas, a montanha, e em especial as zonas de bosque,
estavam absolutamente… encantadoras! Apanháramos a Cabreira no auge do Outono, precisamente
naquela altura do ano em que mal colocamos os pés no interior dos bosques
sentimos desde logo que não estamos sós, alguém mais acompanha os nossos
passos, caminha a nosso lado… Mas quem serão? Duendes? Estrunfes? Hobbits? E o mais estranho de tudo isto
é que no preciso momento em que instintivamente viramos a cabeça para ver quem
lá está, mais não vemos que uma manta de musgo envolvendo uma rocha, mais não
sentimos que o balancear fortuito do vento por entre a ramagem das árvores,
levando consigo as folhas que pouco tempo depois atapetarão o chão onde tímidos
cogumelos finalmente ganham a coragem necessária para erguer-se do mar de
folhas que se estende em redor. De facto, não é difícil ficarmos completamente embebidos
e rendidos pela magia desse mundo digno do Fantástico.
Tudo o que vimos e sentimos é de tal forma puro, delicado e belo, que ficamos
com a sensação de ter sido como que premiados, presenciando uma realidade... surreal!
Como já vem sendo
habitual, o dia não podia terminar sem mais alguns momentos de convívio à volta de uma mesa, no aconchego de um lar a que alguns já chamam de casa, e
onde os convivas não se inibiram de demonstrar alguns dos seus dotes culinários
(pelo menos no que diz respeito à doçaria estão mais que aprovados!). Claro que as castanhas não
podiam faltar, tal como o brinde final, onde para além das habituais palavras de
estímulo à vida e à amizade, foi também transmitida uma mensagem de
solidariedade e de esperança a quem por motivos de força maior não pôde estar
presente.
Pedro Durães
Foto-Reportagem:
E assim começava a dança de cores pelos
bosques da Cabreira...
… e a dança de cogumelos (amanita
muscaria) também!
Já repararam no tapete por onde caminhávamos?
Leito do Ribeiro Escuro
Mais uma bela manta de musgo
Mas afinal de contas que criaturas
misteriosas habitam estes bosques?
Por estes lados até os caminhos
florestais têm um certo encanto…
Panorâmica sobre o Vale da Ribeira da
Lage. Penso que agora já dá para perceber o porquê deste local também ser conhecido
como “Floresta Mágica”
É mesmo verdade, em Portugal também
existem lugares como este. Mas para os ver, cheirar, tocar, ouvir, saborear, «é
preciso que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o
coração, depois, não hesite»
Ambiente descontraído e divertido… é
o que a malta gosta!
(Foto gentilmente cedida pelo amigo
Xavier)
O nosso Xavier mostrando a sua perícia
atravessar pequenos ribeiros, ele e as suas Chiruca que aparentemente resistem
a (quase) tudo
Derivado à abundante chuva dos
últimos dias, pequenos riachos irrompiam por todos os lados
Aqui limitei-me a captar uma mensagem da Natureza para alguém muito especial...
Leito da Ribeira da Lage. A fonte de vida deste verdadeiro santuário natural
Aposto que não têm um tapete destes
lá por casa…
A partir desta peculiar ponte seguimos
uma levada que transporta a água desviada da Ribeira da Lage até aos campos e
lameiros anexos ao aldeamento de Agra
Um último olhar para os míticos bosques da Serra da
Cabreira. Sei que não é um adeus… sei que voltarei a caminhar por lá… e no
entanto as saudades já se fazem sentir…
