Por vezes as coisas
não correm da maneira como pretendemos, essas adversidades ocorrem,
normalmente, quando menos esperamos e principalmente quando menos queremos que
elas aconteçam. Foi o que sucedeu nesta primeira caminhada outonal de 2013. Tínhamos
em mente uma marcha pela serra do Gerês, num local isolado e geralmente pouco
frequentado pelos vulgares turistas de
montanha, mas um contratempo de última hora forçou-nos a alterar os planos
que tínhamos para este dia.
Resignados (mas não
vencidos), acabamos por sair do Parque de Campismo do Vidoeiro seguindo as
marcações de um percurso homologado (PR3 “Trilho dos Currais”). O traçado do
percurso desenvolve-se por antigos carreteiros de montanha, ainda hoje utilizados
pelos pastores locais (Vezeira de Vilar da Veiga) para aceder aos currais,
localizados nas terras altas geresianas. Depois de uma árdua subida, chegamos
finalmente ao primeiro curral. E que belo prado ali estava para nos acolher! O
chão encontrava-se atapetado por um sem número de lindas flores de tonalidade
rosa púrpura, um verdadeiro repasto para os olhos e para o olfacto! Era sem
dúvida alguma o local ideal para tomarmos o pequeno-almoço e para saborearmos
um delicioso café da manhã.
Seguindo na direcção
norte rumamos ao Vale de Teixeira, numa ilusória e ténue esperança de encontrar o vale “só
para nós”. Puro engano. No trajecto que liga o Curral da Lomba do Vidoeiro aos
prados localizados ao longo do Vale de Teixeira cruzamo-nos com várias pessoas,
umas num passo visivelmente acelerado (praticantes de Running), outras numa descontraída e errante deambulação pelo vale.
Mas estas presenças não eram de todo incomodativas, muito pelo contrário. A boa
disposição reinava, dizendo e ouvindo com
um sorriso nos lábios muitos “Bom-dia!”. Ao contrário do que se sucede nos
meses de Verão, e apesar da constante presença de gente no vale, não havia lixo
no chão nem atropelos provocados por uma frenética procura de pequenos charcos de água. Quem por ali andava tinha ido única e exclusivamente ao encontro da
tranquilidade que apenas se encontra neste tipo de ambiente. E até o mais
inaudível sussurro soava a um ensurdecedor insulto para com esse lugar
verdadeiramente sagrado. A solenidade do lugar obrigava a uma profunda
introspecção. Afinal de contas estávamos ali para contemplar o que de melhor a
montanha tem para oferecer: a majestosidade e o silêncio do grande Vale de Teixeira, a aspereza e a dureza daquele grande seio de pedra que é o Gerês.
Nitidamente, a
montanha voltava a ser acarinhada por quem nela não procura mais que um simples
e fugaz momento de deslumbramento. A vivência desta cumplicidade não se
descreve por meras palavras sentimentalistas. Ela vive-se, sente-se, única e exclusivamente...
na montanha.
Pedro Durães
Foto-Reportagem:
Sem dúvida alguma um belo local para tomar um delicioso café
da manhã
Abrigo no Curral da Lomba do Vidoeiro
A majestosidade e o silêncio do
grande Vale de Teixeira
O trajecto entre o Curral da Lomba do
Vidoeiro e o Vale de Teixeira encontra-se muito bem mariolado, não há que
enganar
Com as chuvas dos últimos dias podemos
finalmente ouvir o canto das várias corgas que alimentam o jovem Rio Teixeira… mas
que bela melodia!
Leito do Rio Teixeira a montante do
prado homónimo
Somos realmente pequenos ante a
imponência da montanha
Curral/prado do Camalhão
Imagem de Nossa Senhora do… Camalhão?!
Apesar de este ser um dos locais mais
visitados da Serra do Gerês (em especial nos meses de Verão), é sem dúvida
alguma um local único em todo o PNPG. Em baixo podemos ver o caminho que
percorre toda a extensão deste magnífico vale
Pico do Pé de Salgueiro
Olhem só para estes dois. Pé de Cabril
(à esquerda) e Louriça (ao fundo, à direita )
Vale do Rio Gerês. Vai um “mergulho”?
De novo no prado da Lomba do Vidoeiro
Passagem por um belo pinhal
Uma parte do caminho que liga o
Parque de Campismo do Vidoeiro ao Curral da Lomba do Vidoeiro atravessa um magnífico
e raro bosque de medronheiro
“(…) São seres silenciosos que, a nosso
lado, partilham quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mal
damos por elas, as árvores (…)” Manuel António Pina
Nota: Gostaria de deixar uma palavra de
agradecimento ao amigo Mário pelos tão bons momentos vividos na montanha ao longo dos anos. A tua
forma de estar e sentir a vida é e sempre foi um exemplo para mim, apesar de
nunca te ter dito isto pessoalmente. Boa sorte para esta tua nova aventura. É de ficar
literalmente com os olhos em bico! ;)
Nós cá estaremos à tua
espera, os teus amigos… e as tuas montanhas.