«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

“Finalmente… o Regresso ao Gerês!”

5 de Outubro

Por vezes as coisas não correm da maneira como pretendemos, essas adversidades ocorrem, normalmente, quando menos esperamos e principalmente quando menos queremos que elas aconteçam. Foi o que sucedeu nesta primeira caminhada outonal de 2013. Tínhamos em mente uma marcha pela serra do Gerês, num local isolado e geralmente pouco frequentado pelos vulgares turistas de montanha, mas um contratempo de última hora forçou-nos a alterar os planos que tínhamos para este dia.
Resignados (mas não vencidos), acabamos por sair do Parque de Campismo do Vidoeiro seguindo as marcações de um percurso homologado (PR3 “Trilho dos Currais”). O traçado do percurso desenvolve-se por antigos carreteiros de montanha, ainda hoje utilizados pelos pastores locais (Vezeira de Vilar da Veiga) para aceder aos currais, localizados nas terras altas geresianas. Depois de uma árdua subida, chegamos finalmente ao primeiro curral. E que belo prado ali estava para nos acolher! O chão encontrava-se atapetado por um sem número de lindas flores de tonalidade rosa púrpura, um verdadeiro repasto para os olhos e para o olfacto! Era sem dúvida alguma o local ideal para tomarmos o pequeno-almoço e para saborearmos um delicioso café da manhã.
Seguindo na direcção norte rumamos ao Vale de Teixeira, numa ilusória e ténue esperança de encontrar o vale “só para nós”. Puro engano. No trajecto que liga o Curral da Lomba do Vidoeiro aos prados localizados ao longo do Vale de Teixeira cruzamo-nos com várias pessoas, umas num passo visivelmente acelerado (praticantes de Running), outras numa descontraída e errante deambulação pelo vale. Mas estas presenças não eram de todo incomodativas, muito pelo contrário. A boa disposição reinava, dizendo e ouvindo com um sorriso nos lábios muitos “Bom-dia!”. Ao contrário do que se sucede nos meses de Verão, e apesar da constante presença de gente no vale, não havia lixo no chão nem atropelos provocados por uma frenética procura de pequenos charcos de água. Quem por ali andava tinha ido única e exclusivamente ao encontro da tranquilidade que apenas se encontra neste tipo de ambiente. E até o mais inaudível sussurro soava a um ensurdecedor insulto para com esse lugar verdadeiramente sagrado. A solenidade do lugar obrigava a uma profunda introspecção. Afinal de contas estávamos ali para contemplar o que de melhor a montanha tem para oferecer: a majestosidade e o silêncio do grande Vale de Teixeira, a aspereza e a dureza daquele grande seio de pedra que é o Gerês.
Nitidamente, a montanha voltava a ser acarinhada por quem nela não procura mais que um simples e fugaz momento de deslumbramento. A vivência desta cumplicidade não se descreve por meras palavras sentimentalistas. Ela vive-se, sente-se, única e exclusivamente... na montanha.
Pedro Durães


Foto-Reportagem:

Sem dúvida alguma um belo local para tomar um delicioso café da manhã 

Abrigo no Curral da Lomba do Vidoeiro
 
A majestosidade e o silêncio do grande Vale de Teixeira
 
O trajecto entre o Curral da Lomba do Vidoeiro e o Vale de Teixeira encontra-se muito bem mariolado, não há que enganar
 
Com as chuvas dos últimos dias podemos finalmente ouvir o canto das várias corgas que alimentam o jovem Rio Teixeira… mas que bela melodia! 

Leito do Rio Teixeira a montante do prado homónimo
 
Somos realmente pequenos ante a imponência da montanha
 
Curral/prado do Camalhão
 
Imagem de Nossa Senhora do… Camalhão?!
 
Apesar de este ser um dos locais mais visitados da Serra do Gerês (em especial nos meses de Verão), é sem dúvida alguma um local único em todo o PNPG. Em baixo podemos ver o caminho que percorre toda a extensão deste magnífico vale
 
Pico do Pé de Salgueiro
 
Olhem só para estes dois. Pé de Cabril (à esquerda) e Louriça (ao fundo, à direita )
 
Vale do Rio Gerês. Vai um “mergulho”?
 
De novo no prado da Lomba do Vidoeiro
 
Passagem por um belo pinhal
 
Uma parte do caminho que liga o Parque de Campismo do Vidoeiro ao Curral da Lomba do Vidoeiro atravessa um magnífico e raro bosque de medronheiro
 
“(…) São seres silenciosos que, a nosso lado, partilham quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mal damos por elas, as árvores (…)” Manuel António Pina

 
 
Nota: Gostaria de deixar uma palavra de agradecimento ao amigo Mário pelos tão bons momentos vividos na montanha ao longo dos anos. A tua forma de estar e sentir a vida é e sempre foi um exemplo para mim, apesar de nunca te ter dito isto pessoalmente. Boa sorte para esta tua nova aventura. É de ficar literalmente com os olhos em bico! ;)
Nós cá estaremos à tua espera, os teus amigos… e as tuas montanhas.