«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Caminhando por Bosques Encantados e Fojos do Lobo"

17 de Agosto


O mês de Agosto não é propriamente a altura do ano em que mais gosto de caminhar na montanha. Coincidindo com o período de férias, é comum a montanha encontrar-se repleta de gente (refiro-me principalmente aos “montanheiros” de chinelos de dedo e geladeiras às costas), o que faz com que por vezes seja difícil, ou mesmo impossível, obter a tranquilidade que se procura neste tipo de ambiente. Na ausência de gente, temos a impressão de que as rochas, as árvores, os picos e os vales nos dão toda a atenção. Tendo em conta esse factor, decidi evitar os locais mais frequentados, mais turísticos por assim dizer, na esperança de encontrar a tranquilidade e a paz de espírito que tanto desejava. E a verdade é que a escolha até não foi nada difícil, e 4 meses depois… regressei a "casa"!
Desde há muito tempo que a serra da Cabreira tem permanecido fora dos principais circuitos turísticos de montanha. Uma das razões é sem dúvida alguma a proximidade com a vizinha serra do Gerês, local de eleição (principalmente no norte de Portugal) para quem procura passar uns dias de férias em contacto com o que de melhor a natureza tem para oferecer.
Por ironia do destino, talvez seja essa proximidade uma das razões pela qual nos dias de hoje ainda é possível encontrar autênticas joias naturais nas encostas e vales da serra da Cabreira. Quer queiramos, quer não, a baixa presença humana tem, de certa forma, permitido a preservação deste frágil e harmonioso ecossistema. Aliás, prova disso mesmo é a rápida e constante regeneração dos componentes naturais deste ecossistema montanhoso, e de onde se destacam, invariavelmente, os seus pujantes bosques autóctones.
E assim foi, uma vez mais regressei à "minha" Cabreira, voltei a caminhar no interior dos seus bosques, a subir aos seus picos, a saltar o muro dos seus fojos… enfim, a deleitar-me com a beleza ímpar desta serra, destes montes… e a ouvir apenas o som das águas a correr livremente pela encosta abaixo, das aves que dançavam e cantavam sobre o céu azul e a ouvir aquele som pelo qual tanto ambicionava… o som do silêncio!
Pedro Durães

Foto-reportagem:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“São seres silenciosos que, a nosso lado, partilham quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mal damos por elas, as árvores, tão comum e familiar é a sua antiquíssima presença perto de nós, e tão anónima.”

Manuel António Pina