O mês de Agosto não é
propriamente a altura do ano em que mais gosto de caminhar na montanha. Coincidindo
com o período de férias, é comum a montanha encontrar-se repleta de gente (refiro-me
principalmente aos “montanheiros” de chinelos de dedo e geladeiras às costas), o
que faz com que por vezes seja difícil, ou mesmo impossível, obter a
tranquilidade que se procura neste tipo de ambiente. Na ausência de gente, temos
a impressão de que as rochas, as árvores, os picos e os vales nos dão toda a
atenção. Tendo em conta esse factor, decidi evitar os locais mais frequentados,
mais turísticos por assim dizer, na
esperança de encontrar a tranquilidade e a paz de espírito que tanto
desejava. E a verdade é que a escolha até não foi nada difícil, e 4 meses depois… regressei a "casa"!
Desde há muito tempo
que a serra da Cabreira tem permanecido fora dos principais circuitos
turísticos de montanha. Uma das razões é sem dúvida alguma a proximidade com a
vizinha serra do Gerês, local de eleição (principalmente no norte de Portugal)
para quem procura passar uns dias de férias em contacto com o que de melhor a
natureza tem para oferecer.
Por ironia do destino, talvez seja
essa proximidade uma das razões pela qual nos dias de hoje ainda é possível encontrar autênticas joias naturais nas encostas e vales da serra da Cabreira. Quer
queiramos, quer não, a baixa presença humana tem, de certa forma, permitido a preservação deste frágil e harmonioso ecossistema. Aliás, prova disso mesmo é a rápida
e constante regeneração dos componentes naturais deste ecossistema montanhoso, e de onde se destacam, invariavelmente,
os seus pujantes bosques autóctones.
E assim foi, uma vez
mais regressei à "minha" Cabreira, voltei a caminhar no interior dos seus
bosques, a subir aos seus picos, a saltar o muro dos seus fojos… enfim, a
deleitar-me com a beleza ímpar desta serra, destes montes… e a ouvir apenas o
som das águas a correr livremente pela encosta abaixo, das aves que dançavam e
cantavam sobre o céu azul e a ouvir aquele som pelo qual tanto ambicionava… o
som do silêncio!
Pedro Durães
Foto-reportagem:
“São seres silenciosos que, a nosso lado, partilham quotidianamente
a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mal damos por elas, as árvores, tão comum
e familiar é a sua antiquíssima presença perto de nós, e tão anónima.”
Manuel
António Pina