«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

terça-feira, 30 de abril de 2013

Serra da Cabreira- “Pelos Trilhos da Memória”

25 de Abril

Para comemorar o dia da liberdade, nada melhor que uma boa “cabreirada”! Com início junto à ponte românica sobre o rio Ave, 15 montanheiros partiram à descoberta de algumas das mais emblemáticas áreas da Serra da Cabreira: o Vale do Alto Ave, os Fojos do Lobo e os bosques encantados da Costa dos Castanheiros.
Subindo paulatinamente, o trilho conduziu-nos até uma represa sobre o leito do rio Ave. Ainda antes de atingirmos o paredão, fomos ao encontro de uma refrescante lagoa, um irresistível convite a futuros banhos, lá para o Verão. A montante da represa efectuamos a travessia do rio, seguindo depois por um pequeno carreiro, sempre protegidos do sol pelas copas das árvores, sobretudo de enormes ciprestes. A subida pelo Vale do Alto Ave, sobranceira ao leito do rio, numa envolvente repleta de pequenos bosquetes autóctones é sem dúvida deslumbrante.
 
  Se estivéssemos no Verão era mergulho na certa!

Travessia sobre o leito do rio Ave
 
O caminho ensombrado pelas copas das árvores de enormes ciprestes

Já viram como o Kiko ficou triste? Ninguém quis ir a banhos com ele…
 
Pausa para uma pequena lição de botânica
 
 
Deixando para trás o rio Ave, rumamos ao Alto do Açougue, uma oportunidade para alargar um pouco mais as vistas e de onde já era visível o próximo objectivo: atingir a linha de cumeada formada por Cortegacinhas, Alto do Seixo e Pau da Bela. É precisamente ao longo dessa linha de cumeada que podemos encontrar não um, não dois, mas três fojos do lobo: Fojo Novo, Entre Fojos e Fojo do Pau da Bela. É também nas imediações de cada um dos três fojos que nasce um pequeno curso de água, curiosamente unindo-se a jusante, dando corpo e nome ao lendário rio Ave. Decidimos visitar apenas o Fojo do Pau da Bela, eventualmente o mais imponente de todos, com muros de uma extensão de aproximadamente 1 quilómetro de comprimento!
Subindo lado a lado de um dos muros convergentes, acabamos por atingir o cume do Pau da Bela (1199m), o segundo ponto mais alto da Serra da Cabreira, apenas ultrapassado pelo Talefe (1262m). E a vista? Simplesmente divinal: Gerês, Larouco, Leiranco, Barroso, Alvão, Marão… as albufeiras de Venda-Nova e Alto Rabagão... Enfim, uma panóplia de montanhas e albufeiras que abriram o apetite para o almoço.
 
Bosquete de bétulas na envolvente marginal do rio Ave
 
Linha de cumeada formada por Cortegacinhas (esquerda), Alto do Seixo (frente) e Pau da Bela (direita)
 
“Na boca do lobo”. Fojo do Pau da Bela
 
A famosa Lili Caneças… da Cabreira!

 
Após o repasto, ocasião sempre aproveitada para uma amena cavaqueira, num puro e singelo momento de confraternização e companheirismo, pusemos novamente as botas no trilho, descendo ao longo da Encosta da Bragada, penetrando desta forma nos bosques encantados da Serra da Cabreira. Já não era a primeira vez que caminhava por aqueles bosques, este também não é o primeiro post em que menciono a passagem por aquele mundo embebido de magia e encanto. Para mim, caminhar nos bosques da Serra da Cabreira é como regressar a uma espécie de primitiva pureza, a um mundo imaculado, virginal, milagrosamente (ainda) não manchado pelo verdete desta nossa sociedade contemporânea. Se para sempre assim ficasse...
 
 
Descida da Encosta da Bragada. Já repararam no “tapete” por onde caminhávamos?

Malta animada esta! J
(Foto gentilmente cedida pelo camarada Pxaranha)
 
 “Floresta Mágica da Serra da Cabreira”. Vista a partir do cume da Raposeira 
 
  Vegetação luxuriante envolvendo o Ribeiro da Lage
 
Um raro e ao mesmo tempo abundante azevinho
 

E foi a caminhar relaxadamente, e sem darmos conta disso mesmo, que a tarde ia-se alongando, aproximando-se do fim. Os bosques encantados da Serra da Cabreira iam ficando para trás e já se avistava os lameiros e os telhados do casario da aldeia. Agra estava ali, pronta a recolher mais um punhado de «aventureiros», num dia que não podia de maneira alguma acabar sem mais alguns momentos de puro convivo e camaradagem. Um Grande Bem-Haja a todos os que participaram nesta memorável “cabreirada”! Certamente que o destino irá juntar-nos novamente, quanto ao local, esse, já nós sabemos… algures, numa montanha perto de nós. 
 
A caminhar por este autêntico santuário natural quem é que não fica com um sorriso nos lábios

Passagem pelo Ribeiro Escuro
 
Estávamos completamente rodeados das puras energias da montanha
 
E paulatinamente íamos deixando para trás os bosques encantados da Serra da Cabreira
 
  Viçosos lameiros nas imediações da aldeia de Agra. A «aventura» estava prestes a chegar ao fim L
 
 
Pedro Durães