Para
comemorar o dia da liberdade, nada melhor que uma boa “cabreirada”! Com início junto
à ponte românica sobre o rio Ave, 15 montanheiros partiram à descoberta de algumas
das mais emblemáticas áreas da Serra da Cabreira: o Vale do Alto Ave, os Fojos do
Lobo e os bosques encantados da Costa
dos Castanheiros.
Subindo
paulatinamente, o trilho conduziu-nos até uma represa sobre o leito do rio Ave.
Ainda antes de atingirmos o paredão, fomos ao encontro de uma refrescante lagoa,
um irresistível convite a futuros banhos, lá para o Verão. A montante da represa
efectuamos a travessia do rio, seguindo depois por um pequeno carreiro, sempre protegidos do sol pelas copas das árvores,
sobretudo de enormes ciprestes. A subida pelo Vale do Alto Ave, sobranceira ao leito do rio, numa envolvente
repleta de pequenos bosquetes autóctones é sem dúvida deslumbrante.
Se estivéssemos no Verão era mergulho na certa!
Travessia sobre o leito do rio Ave
O caminho ensombrado pelas copas das árvores de enormes
ciprestes
Já viram como o Kiko ficou triste? Ninguém quis ir a banhos
com ele…
Pausa para uma pequena lição de botânica
Deixando
para trás o rio Ave, rumamos ao Alto do
Açougue, uma oportunidade para alargar um pouco mais as vistas e de onde já
era visível o próximo objectivo: atingir a linha de cumeada formada por Cortegacinhas, Alto do Seixo e Pau
da Bela. É precisamente ao longo dessa linha de cumeada que podemos
encontrar não um, não dois, mas três fojos do lobo: Fojo Novo, Entre Fojos e Fojo
do Pau da Bela. É também nas imediações de cada um dos três fojos que nasce
um pequeno curso de água, curiosamente unindo-se a jusante, dando corpo e nome
ao lendário rio Ave. Decidimos visitar apenas o Fojo do Pau da Bela, eventualmente o mais imponente de todos, com
muros de uma extensão de aproximadamente 1 quilómetro de comprimento!
Subindo
lado a lado de um dos muros convergentes, acabamos por atingir o cume do Pau da Bela (1199m), o segundo ponto
mais alto da Serra da Cabreira, apenas ultrapassado pelo Talefe (1262m). E a vista? Simplesmente divinal:
Gerês, Larouco, Leiranco, Barroso, Alvão, Marão… as albufeiras de Venda-Nova e Alto
Rabagão... Enfim, uma panóplia de montanhas e albufeiras que abriram o apetite
para o almoço.
Bosquete de bétulas na envolvente marginal do rio Ave
Linha de cumeada formada por Cortegacinhas (esquerda), Alto do Seixo (frente) e Pau da Bela
(direita)
“Na boca do lobo”. Fojo
do Pau da Bela
A famosa Lili Caneças… da
Cabreira!
Após o repasto, ocasião sempre aproveitada para uma amena
cavaqueira, num puro e singelo momento de confraternização e companheirismo,
pusemos novamente as botas no trilho, descendo ao longo da Encosta da Bragada, penetrando desta forma nos bosques encantados
da Serra da Cabreira. Já não era a primeira vez que caminhava por aqueles
bosques, este também não é o primeiro post
em que menciono a passagem por aquele mundo embebido de magia e encanto. Para
mim, caminhar nos bosques da Serra da Cabreira é como regressar a uma espécie
de primitiva pureza, a um mundo imaculado, virginal, milagrosamente (ainda) não
manchado pelo verdete desta nossa sociedade contemporânea. Se para sempre assim
ficasse...
Descida da Encosta
da Bragada. Já repararam no “tapete” por onde caminhávamos?
Malta animada esta! J
(Foto gentilmente cedida pelo camarada Pxaranha)
“Floresta Mágica da Serra
da Cabreira”. Vista a partir do cume da Raposeira
Vegetação luxuriante envolvendo o Ribeiro da Lage
Um raro e ao mesmo tempo abundante azevinho
E foi a caminhar relaxadamente, e sem darmos conta disso
mesmo, que a tarde ia-se alongando, aproximando-se do fim. Os bosques
encantados da Serra da Cabreira iam ficando para trás e já se avistava os
lameiros e os telhados do casario da aldeia. Agra estava ali, pronta a recolher
mais um punhado de «aventureiros», num dia que não podia de maneira alguma
acabar sem mais alguns momentos de puro convivo e camaradagem. Um Grande Bem-Haja
a todos os que participaram nesta memorável “cabreirada”! Certamente que o
destino irá juntar-nos novamente, quanto ao local, esse, já nós sabemos… algures,
numa montanha perto de nós.
A caminhar por este autêntico santuário natural quem
é que não fica com um sorriso nos lábios
Passagem pelo Ribeiro Escuro
Estávamos completamente rodeados das puras energias da
montanha
E paulatinamente íamos deixando para trás os bosques
encantados da Serra da Cabreira
Pedro Durães

