“Massas de granito
temperadas pelo vento, quartzitos retorcidos pela força da Terra, vales
encaixados, socalcos, planaltos a perder de vista, águas límpidas que brotam do
coração da serra, neves, lobos, águias que rasgam os céus, lameiros, campos e
baldios, vacas maronesas, cabras bravias, moinhos, levadas, casas de colmo, de
xisto, de ardósia negra, Homens e Mulheres que juntos moldaram a paisagem,
tiram o sustento da terra e a cada instante fazem este Parque…”
Bem-vindos ao Parque Natural do
Alvão!(Texto retirado de um folheto do Parque Natural do Alvão)
Depois de transcrito o
texto anterior, já pouco mais tenho a dizer acerca de mais uma formidável
actividade de montanha, realizada no «coração» do Parque Natural do Alvão. Seja
como for, aí vai o singelo relato de mais uma «aventura» por esses montes fora.
Saindo da aldeia de
Arnal, e tomando um trilho de pé posto, contornamos o impressionante caos
granítico da “Catedral de Arnal”. Lentamente, fomos ganhando altitude,
aproveitando cada paragem para desfrutar das paisagens que entretanto iam
surgindo.
Transposto o «mar de
rocha» atingimos uma zona de planalto, e, lá está, ponto de paragem
obrigatório: a «Cabana». Trata-se de uma simpática tasquinha, localizada no
interior de um exótico bosque de bétulas (Betula
alba), próximo do paredão da Albufeira
Cimeira. Atravessamos o referido paredão, e contornamos a albufeira até um
miradouro localizado já próximo da Albufeira
Fundeira, uma outra albufeira (embora de proporções menores) e de onde
podemos contemplar uma vista fantástica sobre a aldeia de Lamas de Ôlo, os campos
de cultivo e lameiros, e sobre o imenso planalto do Alvão, que de ano para ano
vai sendo «colonizado» por mais e mais turbinas eólicas.
Atravessando o paredão
da Albufeira Fundeira fomos rapidamente
ao encontro do local escolhido para almoçar. O almoço foi no interior das ruínas
de uma antiga casa, estranhamente localizada no meio do nada e relativamente
afastada da aldeia mais próxima (Lamas de Ôlo). Posteriormente, no fim do dia,
um pastor da aldeia de Arnal confessou-nos que a casa foi em tempos propriedade
de uma família de Lamas de Ôlo, estando o seu uso relacionado com a pecuária,
principal meio de subsistência das populações locais. Após o repasto, e seguindo
por um antigo caminho florestal, continuamos a marcha atravessando um lindíssimo
bosque (já nosso conhecido), de onde se destaca a predominância das manchas arbóreas
de pinheiro-silvestre e bétulas. Um pouco mais à frente, numa bifurcação,
viramos à esquerda e seguimos pelo estradão que liga as barragens do Alvão ao Vaqueiro, uma área predominantemente planáltica,
muito fértil em termos de pasto, e de onde nascem vários cursos de água, entre
eles a ribeira de Arnal.
Descemos rumo às
barragens acompanhados por uma nuvem «manhosa» que durante a sua passagem presenteou-nos
com uma descarga de chuva que chegava cá em baixo em pequenas bolas de granizo,
mas que eram estranhamente fofas, tal como a neve… incrível! Atalhando pelo meio
de um pinhal começamos desde logo a vislumbrar o próximo ponto de passagem: o "Cabeço de Arnal". De proporções
gigantescas, a fraga domina de uma forma nua e crua a paisagem circundante, em
pleno contraste com a verdura do vale adjacente. E Arnal, finalmente à vista...
Apesar da curta distância que nos separava do ponto de partida, a verdade é que
esta seria, por ventura, a parte mais delicada do dia. A descida, para além de bastante
acentuada, seria efectuada através da passagem por diversas lajes de rocha, bastante
húmidas e consequentemente escorregadias e perigosas. Não é de estranhar que
para percorrer aproximadamente 200 metros tenhamos demorado mais de 30 minutos!
Felizmente não houve quedas a lamentar e acabamos por chegar todos sãos e salvos
à aldeia de Arnal.
Na viagem de regresso «encostamos»
na Casa Lapão para provar alguma da doçaria tradicional de Vila Real, onde não
faltaram os pitos e as cristas de galo e onde ficamos a saber
que anualmente, no dia 13 de Dezembro (dia de Santa Lúzia), é tradição os homens
oferecerem o pito às mulheres… E esta
hein!?
Pedro Durães
Fotorreportagem:
Ribeira de
Arnal
“Catedral de
Arnal”
Panorâmica
da aldeia de Arnal e respectivos lameiros
Um zoom à aldeia
de Galegos da Serra
Uma pequena
cascata rompendo por entre um «mar de rocha»
O bosque de
bétulas envolvendo a «Cabana»
Vista da Albufeira Cimeira a partir do paredão
Panorâmica
da área envolvente da aldeia de Lamas de Ôlo
Pelo
vestuário dá para ver que o dia até esteve bem quentinho…
(Foto
gentilmente cedida pelo camarada António)
Fim do
repasto, toca a marchar!
Esporadicamente o sol lá ia surgindo e as fotografias ganhavam vida
Perspectiva
das diferentes manchas arbóreas
Cá
está ele, o monte Farinha! Vai uma
volta até lá cima?
Estradão
florestal que liga as barragens ao Vaqueiro
Quem é que
disse que a descer todos os santos ajudam?
E Arnal,
finalmente…

