Já por diversas ocasiões ouvi comentários de várias pessoas acerca da queda de água das Fisgas de Ermelo, e quase todas elas são unânimes em considerar que a queda de água não tem nada de extraordinário, chegando haver casos em que alguns acabam por nem sequer ver a referida cascata!? Por mais estranho que possa parecer, não só é verdade, como isso já aconteceu comigo. Na primeira deslocação ao Parque Natural do Alvão, e ao respectivo miradouro sobre a queda de água, estávamos na altura em pleno mês de Agosto, no pico do Verão, quando me debrucei sobre a escarpa, fiquei incrédulo… não vi absolutamente nada! Nem sequer um ruido de fundo anunciar que algures, por entre a penedia, havia uma queda de água. Tanto me falaram da cascata, e afinal…
Porém, a verdade é que há um outro
miradouro de onde se pode obter uma vista avassaladora sobre a queda de água,
mas para isso é necessário efectuar uma pequena caminhada, linear, e de apenas 3
km (6 km ida e volta).
Vista a partir do miradouro «oficial»
Mesmo com uns bons binóculos não conseguem ver mais do que isto :(
Partindo precisamente do miradouro
«oficial», encontraremos uma placa informativa do Parque Natural do Alvão, ao
lado da qual parte um pequeno estradão asfaltado (no local encontra-se uma
cancela a impedir a passagem de automóveis). Seguindo por esse estradão (sempre
a subir), que termina um pouco mais á frente, surgirá uma bifurcação, viramos á
direita e acabamos por seguir um caminho florestal (em terra batida) que
atravessará um belo pinhal.
Placa informativa do Parque Natural do Alvão
Estradão asfaltado (passagem proibida a automóveis). Ao fundo encontra-se a aldeia de Ermelo
O caminho em terra batida que atravessa o pinhal
Pausadamente, o caminho acaba por ir ao
encontro das águas límpidas do rio Ôlo. Estranhamente, o caminho termina na
margem direita do rio, e será necessário atravessá-lo (posteriormente o caminho
continua na outra margem). O local é bastante amplo e nessa zona o caudal não é
muito, o que permite a passagem, saltando de «pedrinha em pedrinha». No
entanto, se a caminhada for efectuada em pleno inverno é praticamente
impossível transpor para a outra margem, pelo menos sem molhar as botas. Será necessário
encontrar outro local para a travessia, ou então recuar até à ponte sobre o rio
Ôlo (situada à entrada da aldeia de Varzigueto) e apanhar um pequeno carreiro
que parte sobranceiro à margem esquerda do rio (essa opcção implicará um
ligeiro aumento do tempo e da distância a percorrer).
Pausadamente o caminho acaba por ir ao encontro do rio Ôlo
O local onde é possível transpor para a outra margem do rio... mas desta vez não foi possível
... fortuitamente acabamos por encontrar uma ponte «caseira»
Uma escorregadela e era banho na certa
Transposto o rio, continuamos pelo
referido caminho em terra batida. Do nosso lado direito surgirão as famosas Piocas, quase tão conhecidas como a
cascata, o local é palco de uma autêntica romaria, e ano após ano, inúmeras pessoas deslocam-se para as Piocas nos dias quentes de Verão. A zona é
caracterizada por uma fantástica
sucessão de inúmeras piscinas naturais ao longo do curso do rio Ôlo. No
entanto, é absolutamente necessário chamar a atenção para o perigo das mesmas.
Quase todos os anos acontecem acidentes nesse local, e em certos casos com
mortes a lamentar. Ainda no recente verão de 2012 um homem faleceu devido a uma
queda e consequente afogamento, quando tentava simplesmente tirar uma
fotografia… Na realidade, as Piocas assemelham-se
a autênticos poços naturais, e em alguns casos a profundidade chega mesmo a
ultrapassar os 20 m...
As famosas (e perigosas) Piocas
Pouco a pouco, o ruído da cascata
tornar-se-á constante e cada vez mais intenso, e ao virar de uma curva no
caminho, avistaremos a avassaladora queda de água. A partir desse momento
resta-nos apenas abandonar o caminhos e descer (com cuidado) a encosta da
montanha até uma «varanda» de onde é possível contemplar a maior queda de água
(em escada) da europa! Pois é, aposto que também não sabiam dessa ;)
Vista a partir de uma «varanda» sobre a avassaladora queda de água das Fisgas de Ermelo
Qual das vistas sobre a cascata vocês preferem? A escolha não é fácil…
A impressionante força da natureza!
Pedro
Durães
Nota:
As fotografias foram obtidas aquando de uma anterior incursão ao Alvão, estávamos na altura em pleno inverno. O
caudal do rio condicionará o trajecto do percurso. É aconselhável realizar a
caminhada no verão, já que podem transpor facilmente para a outra margem… e
usufruir das lagoas naturais do rio Ôlo. Mas não se esqueçam, muito cuidado!
