Numa manhã
gélida, acompanhada por um vento «fresquinho» que soprava vindo de norte, 6
(+1) destemidos «aventureiros» ousaram deixar para trás o conforto do lar e partiram
em busca do desconforto da montanha. Os primeiros quilómetros não foram propriamente
fáceis de percorrer. O tipo de terreno não apresentava qualquer dificuldade
relativamente á progressão (antes pelo contrário), o problema era que o frio
era muito... mesmo muito! Olhámos em volta e vimos os primeiros raios de sol a
iluminar a encosta oposta da montanha, e penso que cada um de nós gostaria de
lá estar… Lentamente, e para gáudio de todos nós, o sol finalmente apareceu! E
com ele veio também uma luz fenomenal e uma agradável sensação de conforto, que
aquecia não só o corpo, como também o coração.
Caminhar nos
bosques da serra da Cabreira é ao mesmo tempo uma experiência libertadora, tal
é a alegria efusiva dos sentidos, como, ao mesmo tempo, ela nos convida a uma
profunda introspecção, diria até, uma profunda meditação. O delicado e
harmonioso ecossistema dos bosques da Cabreira é um verdadeiro tesouro natural,
muito raro de encontrar nos dias de hoje. O chão, húmido e fofo, encontra-se
revestido de musgo, tal como as rochas, e as árvores, uma fascinante mistura de
espécies mediterrânicas e outras geralmente mais abundantes nos países do norte
da Europa, levantavam-se de um colchão coberto por fetos gigantescos.
Enquanto deambulava pela floresta uma estranha e perturbadora sensação de
inquietude apoderou-se de mim. Várias perguntas, surgidas não sei bem de onde impunham-se
de uma forma vil e firme. Teria de encontrar rapidamente as respostas, já não
aguentava mais aquele tormento. Estaria eu obrigado a «esconder» aquele mundo,
deixando-o tal como está, intacto, imaculado? Caso optasse por essa decisão, não
estaria a ser egoísta, ao querer ficar com aquele mundo só para mim? Ou, em
contrapartida, teria o dever de revelá-lo, expô-lo? E se o revelasse, não
estaria eu a ser «cúmplice» ao permitir que algumas pessoas incautas pudessem
ter acesso aquele templo sagrado, profanando-o?
Afinal de contas, como podemos nós compreender, respeitar, e preservar aquilo
que não conhecemos? Se não temos acesso ao conhecimento e à informação, como
podemos nós ter algum tipo de afectividade por algo que nos é totalmente estranho,
indiferente?
A publicação deste post (tal como a razão de ser deste blogue) é a resposta
a essa e a muitas outras perguntas. Resta agora que cada um dos leitores, na
eventualidade de um dia decidir caminhar pelos bosques da Cabreira (e não só),
tenha o simples cuidado de deixar apenas as suas singelas pegadas, e caso
queira tirar alguma coisa, a máquina fotográfica é uma boa opcção. Ficará não
só com uma lembrança, mas também com a certeza que deixou tudo tal como estava,
de uma forma perfeitamente… natural!
Pedro Durães
Fotorreportagem:
Entrada na floresta mágica da Cabreira
Uma fotografia ao fotógrafo?
Finalmente, o sol!
O solo era um autêntico «tapete» de musgo e folhas
Panorâmica dos bosques da Cabreira a partir de uma das
poucas clareiras que encontramos
Reflexos no açude da ribeira da Lage
Pormenor de mais um recanto da Cabreira
Durante a pausa para almoço, onde aproveitamos para tomar
um «banho de sol»
Acompanhando o tímido e silencioso ribeiro Escuro
Pormenor de um «cogumelo trepador»
Esta rocha não sente o frio, já viram a samarra…
Já na descida para a aldeia de Agra, deixando para
trás os magníficos bosques da Cabreira