«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

sábado, 15 de novembro de 2014

E enquanto vou saboreando "Os Frutos da Terra"...


Serra da Cabreira, 2 de Novembro de 2014



E enquanto vou saboreando “Os Frutos da Terra”, do controverso romancista norueguês Knut Hamsum, devo confessar que senti (uma vez mais) o doce paladar de uma frase da qual eu me sinto espiritualmente e umbilicalmente ligado. Knut Hamsum, um amante da Natureza e das florestas nórdicas em particular, revela o seu ambíguo estado de espírito: (…) «É estranho, entre as árvores destes bosques sinto-me misteriosamente em família!» (…). A frase e a familiaridade que a acompanha caminharam comigo em segredo na minha última incursão pelos bosques encantados da Serra da Cabreira. 

Pedro Durães


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

“Cabreira Outonal”

2 de Novembro

Sensivelmente 1 ano depois regressei a um local que pessoalmente considero como um dos mais belos e perfeitos lugares na terra. Perdida e esquecida no coração da Serra da Cabreira, encontra-se uma lendária floresta que serve de casa a Duendes e Fadas, Estrunfes e Hobbits, uma floresta que mais parece ter sido retirada de uma das mais fascinantes obras-primas de Tolkien, um mundo simplesmente… mágico, habitado por criaturas do Fantástico.
O leitor que me perdoe, mas desta vez não vou trasladar para letra redonda as múltiplas vivências desse dia. Quanto à razão, perguntarão alguns de vós, ela na verdade não poderia ser mais simples, e de certa forma óbvia. Já anteriormente partilhei a minha humilde (e porventura fantasiosa) descrição do que é caminhar por esses bosques encantados, imbuir toda aquela magia que nos faz sonhar… acordados! Para mim não faz sentido voltar a dizer basicamente as mesmas coisas, pese embora, como todos nós sabemos (ou pelo menos deveríamos saber…), que cada incursão à montanha é e será sempre diferente da anterior, mesmo quando passamos por locais sobejamente conhecidos. Mas não se preocupem os mais distraídos (ou será menos atentos…), podem sempre clicar AQUI, ou então AQUI. E já agora, se estão assim tão ávidos por um pouco de "literatura" medíocre, também podem clicar AQUI. Que seja feita a vontade do freguês! Peço imensa desculpa… uma vez mais. Que seja feita a vontade do leitor, quero eu dizer.
Resta-me, portanto, partilhar com todos vós a pobreza franciscana de um punhado de fotografias que de uma forma sincera e singela esforça-se por espelhar aquele curto espaço de tempo em que o “AH!...” é instintivamente substituído pela compressão do dedo indicador no obturador da máquina fotográfica e assim, pela captação e posterior visualização das imagens, relembrar aquela que foi sem dúvida alguma (mais) uma inesquecível incursão à sempre bela e sublime Serra da Cabreira. O dia até pode não ter sido muito proveitoso no que diz respeito à fotografia (pouca luz, nevoeiro, chuva, mesmo muita chuva…), mas a verdade é que o prazer que se retira ao caminhar no interior dos bosques da Serra da Cabreira recompensa largamente a frustração de um qualquer fotógrafo amador. É que antes de se ser fotógrafo, cada um de nós é, sobretudo, montanheiro(a)! Até à próxima “aventura” companheiros(as)!

 Pedro Durães

Foto-Reportagem

Seguindo por uma antiga levada entramos no mundo mágico dos bosques da Serra da Cabreira

“Avenida dos Ciprestes”

Este trilho é um dos mais belos percursos em floresta que já percorri...

… Numa envolvente absolutamente encantadora à qual é impossível ficar indiferente

A fonte de toda a vida

A Natureza é capaz de coisas absolutamente formidáveis… e ao mesmo tempo estranhas…

Já repararam bem no tamanho destes fungos?!

Transposição de um dos principais cursos de água do santuário natural da Costa dos Castanheiros: o Ribeiro Escuro

E pouco tempo depois voltamos a percorrer a margem direita do Ribeiro Escuro, acompanhando-o durante todo o seu trajecto até à nascente

Uma pequena mas ao mesmo tempo belíssima cascata

Bosque de lariços (larix decidua)
(Foto gentilmente cedida pelo camarada Alberto Pereira)

Reparem bem no tapete que envolve o solo e a árvore

Vidoal de montanha. Será que anda por aí El Rei D.Sebastião?...

Marcos de S.Bento. Estes marcos seculares indicam a fronteira natural entre 3 concelhos vizinhos (Vieira do Minho, Cabeceiras de Basto e Montalegre), ou se preferirem, entre o Minho e o Barroso (Trás-os-Montes)

Aproveitamos o abrigo fornecido pelos ciprestes para uma curta pausa, na ténue esperança de que talvez a chuva abrandasse…

… Mas em vez de abrandar, o tempo piorou! E pouco tempo depois lá vierem os trovões… bem, era chegada a hora de basar!

Quedas de água da Ribeira da Mijadeira (é assim mesmo que ela se chama!)

Foto final nas homónimas “Portas de Pedro”. Uma de várias "portas" que permite o acesso aos bosques encantados da Serra da Cabreira



sábado, 1 de novembro de 2014

“Shall We Dance?”


Floresta da Costa dos Castanheiros, Serra da Cabreira


Com o arrastar do Outono acentua-se a clorose nas folhas das árvores e assiste-se a uma autêntica explosão de cores, ou se preferirmos um tom mais musical: uma dança. Como que antevendo um longo e duro Inverno, os bosques da Serra da Cabreira vestem-se de gala para uma espécie de “ballet fúnebre”. Celebra-se a vida, portanto, antes da morte. «Shall we dance?»

Pedro Durães