«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

domingo, 11 de maio de 2014

"Charneca em Flor", de Florbela Espanca

 
Serra da Mourela (Poço das Rãs), 1 de Maio de 2014
 

“Charneca em Flor”


Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas…
Sob as urzes queimadas nascem rosas…
Nos meus olhos as lágrimas apago…
 
Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago! 

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Soror Saudade… 

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor! 

Florbela Espanca
 


quinta-feira, 8 de maio de 2014

“A Lenda da Serra da Mourela (Pedra da Moura)”


«Conta-se que, quando os mouros foram expulsos pelos cristãos das terras do norte, havia uma mulher moura que estava grávida e que teve as dores de parto no momento da fuga. Escondeu-se, por isso, numa gruta para puder ter o filho. Todos os mouros foram embora, mas ela ficou naquela gruta para criar o filho, e o povo diz que durante muito tempo se ouviu a moura a entoar bonitas canções de embalar. A gruta ficou assim conhecida como a “Pedra da Moura” e a serra onde ela está situada é a Serra da Mourela. Fica entre as aldeias de Pitões das Júnias e Tourém, no concelho de Montalegre.»
Fonte: http://www.lendarium.org/narrative/lenda-da-serra-da-mourela/?tag=421
 
1 de Maio

Assim estava lançado o mote para mais uma incursão ao sempre belo (e místico) Barroso. Porém, infelizmente, acabei por não encontrar a gruta da “pedra da moura”, mas para ser sincero a verdade é que nem sequer me dei muito ao trabalho de a procurar! Não tinha propriamente um plano definido, um trilho a seguir, e tão pouco me lembrei de levar as cartas militares, quanto mais um desses aparelhos electrónicos com sistema GPS integrado. Caso não encontrasse a benfazeja gruta, paciência. Seja como for, o que tinha em mente e o que realmente pretendia era pura e simplesmente caminhar, usufruir da majestosidade do grande planalto serrano e sentir-me pequeno, insignificante. Contrariamente ao que habitualmente faço, em vez de me atirar freneticamente ao encontro da ansiada aventura, optei por caminhar de forma serena e totalmente descomprometida, vadiando fortuitamente por entre montes e vales. E foi assim, sem nada pedir e quando menos esperava, que a Mourela, quente e desanuviada, veio ter comigo. E então pude finalmente ouvi-la, tocá-la, cheirá-la, saboreá-la… meros delírios de um montanheiro na mais pura e solene entrega à natureza, à vida ao ar livre! Ou será que esses delírios não serão porventura a pura vivência de um sonho tornado realidade, um sonho que abrolha e floresce em cada nova incursão a esse lugar misterioso, divino, e infinitamente belo: a montanha.
Muito mais coisas tenho para dizer, partilhar, mas a ponta dos meus dedos teima em não tocar no teclado do computador. Tenho plena consciência que este meu desvario pelos montes aplanados da Serra da Mourela poderia e deveria ser acompanhado por um texto bem mais elaborado, mais descritivo, talvez até... mais poético. Mas a verdade é que o tempo urge e tenho que retomar neste mesmo instante as aulas práticas do meu curso intensivo de toalhitas e fraldas Dodot! J Bem, tenho mesmo de ir...
Até à próxima "aventura" caro leitor!
Pedro Durães
 
(Para obteres mais informação sobre o património natural e cultural da Serra/Planalto da Mourela, clica AQUI!)
 
Foto-Reportagem
 
Torre do Boi, homenagem ao boi barrosão
 
Vista para algumas aldeias (Covelães e Fiães do Rio) e montanhas circundantes (Cerdeira e Cabreira)
 
Mata do Rio Mau, uma das mais extensas e bem preservadas florestas autóctones do PNPG (não é necessário pagar qualquer taxa de acesso…)
 
E quando fui a dar conta, lá andava eu por terras galegas!
 
Pegada de Lobo (Canis Lupus Signatus) 

Marco geodésico de Vaires (1374m), ponto mais alto da Serra da Mourela. Lá ao fundo ergue-se a vizinha Serra do Pisco (1375m)
 
A oeste da Serra da Mourela deparamo-nos com um vulto altivo, áspero, e ao mesmo tempo dominador: o "reino de pedra" da Serra do Gerês
 
E cá estão eles: os cotos/cornos da Gralheira e Fonte Fria vistos de um ângulo diferente daquele a que normalmente estamos habituados  

Vista para a aldeia de Pitões das Júnias e para o "reino de pedra" da Serra do Gerês
 
Curti o enquadramento desta fotografia!
 
Um lameiro “perdido” nos confins da serra 

O planalto da Mourela assemelha-se a uma autêntica manta de retalhos, destacando-se o recorte na paisagem das diferentes formas de maneio dos matos
 
«Assim é a Serra da Mourela, entre a fragilidade do algodão, a humidade da turfeira e a imensidão das nuvens e das montanhas. Aqui, quase na perfeição, se combina a beleza do pormenor e a grandiosidade dos céus, das nuvens e das montanhas.»
 
E cá está a malta junto ao Poço das Rãs (turfeira)
 
A “empoleirada” aldeia de Travassos (fotografia obtida a partir da aldeia vizinha de Covelães)
 
Vale da Ribeira do Rio Mau, com o Alto de Vaires a espreitar bem lá em cima, nas alturas da Serra da Mourela
 
Bonito trecho do trilho por entre a mancha de carvalhal caducifólio
 
A verdejante ruralidade do Barroso...
 
 E assim terminou mais uma caminhada neste recanto (muito) pouco conhecido do PNPG