«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

"Não Deixe os Lobos sem Abrigo"

 



A Campanha “Não Deixe os Lobos sem Abrigo” foi apresentada oficialmente no dia 25 de Julho de 2012. Foi divulgada pela primeira vez através do Naturfunding, uma iniciativa internacional de crowdfunding ambiental, lançada no mesmo dia e resultante de uma parceria estabelecida entre o portal ambiental português Naturlink e a plataforma norte-americana Indiegogo.
Após um ano de iniciativas diversas, através deste e de outros canais, foram reunidos 61% do valor total necessário para a compra dos 17 hectares de terreno onde o Grupo Lobo desenvolve o projecto Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI).
O Grupo Lobo agradece o empenho, dedicação e entusiasmo de todos os que nos têm apoiado e contribuído para alcançar este objectivo. De entre as várias actividades realizadas, algumas delas continuam a decorrer, nomeadamente o número de telefone solidário 760 450 044 (custo da chamada 0,60€ + IVA).
Sem o apoio de todos os que acreditam nesta causa e no trabalho que desenvolvemos em prol do lobo, nada disto teria acontecido e projectos como o CRLI, entre outros, não seriam por certo possíveis. O lobo ibérico estaria, em Portugal mais perto da extinção.
Obrigado a todos. Não vamos desistir do lobo.                 
Fonte: http://lobo.fc.ul.pt/
 

"Há palermas que passam as tardes de Domingo em frente da televisão a assistir a uma merda de programa cujo contágio alastrou-se a praticamente todos os canais ditos generalistas. Durante o tempo em que o programa está no ar, os apresentadores insistem para aqueles que estão em casa liguem uma, se possível mais vezes, para ganharem uma certa quantia em dinheiro, ou então para adquirirem a nova versão do mais recente automóvel desportivo. E os palermas ligam… ligam… ligam… E quantos é que já ganharam de facto alguma coisa? Poucos, muito poucos.
E o que é que nós ganhamos em ligar para o 760 450 044? Nada, absolutamente nada, pelo menos em termos materiais. Mas a chamada é feita em nome de uma causa maior, em algo que vale muito mais que um simples amontoado de ferros retorcidos. Ganhamos a pura consciência cívica de termos ajudado a tornar este mundo um lugar melhor,  tentando restituir o seu equilíbrio perdido. É que antes do automóvel e do papel, os lobos já faziam parte do mundo natural, há quem afirme inclusive que eles já cá andavam antes da chegada do ser humano…"
Pedro Durães
 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

“Do Pedrinho à Pedrada”

1 de Setembro                      

A convite de um grande amigo montanheiro, regressei uma vez mais às serranias da Peneda/Soajo. Aliás, este acabou por ser um daqueles convites ao qual seria impensável dizer que não. De uma forma, ou de outra, tinha de estar presente. A ideia era um tanto ou quanto épica, «uma maloqueira», parafraseando o mentor desta caminhada. Basicamente, o objectivo consistia em atingir o cume da montanha mais alta da serra da Peneda (1374m) e da serra do Soajo (1416m).
Partindo da aldeia serrana da Gavieira, localizada num belíssimo vale, rasgado pelo Rio Grande e à sombra das Quelhas, uma imponente parede rochosa cravada numa das encostas da montanha, lá seguimos por um antigo carreteiro em direcção à Branda de Bosgalinhas, a primeira de três brandas que visitamos durante o dia.
 
Aldeia serrana da Gavieira. Bem lá em cima podemos ver a impressionante parede granítica das Quelhas
 
Antigo carreteiro que liga a povoação da Gavieira à Branda de Bosgalinhas
 
Montanhas da Peneda/Soajo
  
As brandas são pequenos povoados de altitude que se encontram ocupados apenas durante o Verão para apoio à actividade pastoril. A sua localização geográfica deve-se acima de tudo à relativa proximidade com as melhores zonas de pasto da montanha. Após uma rápida passagem pela Branda de Bosgalinhas continuamos o caminho em direcção ao planalto de Lamas do Vez. Este era também um momento pelo qual ansiava há alguns anos a esta parte. E a verdade é que as expectativas não saíram defraudadas! Decididamente, trata-se de um lugar único e especial. Uma imensa manta verde estende-se diante de nós ao longo de vários quilómetros, delimitada de um lado e do outro pelos cumes da Pedrada (Soajo) e Pedrinho (Peneda). É também aqui, neste lugar mítico e distante que nasce o Rio Vez.
 
Branda de Bosgalinhas. Não, este não é o calhau do Conho...

Planalto de Lamas do Vez
 
Estão a ver aqueles muros lá ao fundo? Pois é, desta vez houve alguém que se esqueceu de que os muros são para se manter de pé, com cada pedra no seu devido lugar… 

Sem que para isso tenhamos despendido um grande esforço físico, num curto espaço de tempo estávamos já no cume do Pedrinho, o ponto mais alto da serra da Peneda, com aproximadamente 1374 metros de altitude. Era a altura ideal para descansar um pouco, comer qualquer coisa, e, claro, apreciar as vistas!
 
Chegada ao cume do Pedrinho

Claro está com direito à foto da praxe
(Foto gentilmente cedida pelo amigo Xavier)

Vista para as terras do Alto Minho a partir do cume do Pedrinho 

Cumprida com êxito a primeira trepadela do dia, era chegado o momento de ganhar novo fôlego para o desafio seguinte. E em relação a esse não havia a menor dúvida, ele estava ali mesmo diante de nós, altivo, imenso… toca a subir à Pedrada! E subimos, subimos, subimos…
 
 Toca a ganhar fôlego para a subida à Pedrada

  Abrigo na serra com vista para aquele que penso ser o fojo do lobo de Sistelo
 
Finalmente avistamos o marco geodésico da Pedrada, sim, refiro-me aquele pedaço de cimento que normalmente encontramos nos pontos mais elevados da montanha e que indicam a altitude do local, ou na falta de uma placa informativa há sempre um chico-esperto que fornece a informação aos visitantes através de uma borrifadela oriunda de uma qualquer lata de spray, mas o que eu nunca imaginei é que encontraria a figura do Ché nesse preciso local! Divagações à parte, o local é sem dúvida alguma merecedor de cada gota de suor libertada na longa e penosa subida.
Do cume da Pedrada descemos até ao fojo do lobo. À semelhança de muitos outros fojos que se encontram dispersos (a maioria em ruínas) nesta região montanhosa e bravia, a sua construção acaba por enquadrar-se tão bem na envolvente paisagística que mais parece ter brotado do próprio solo.
 
A malta do “inferno da Pedrada”
(Foto gentilmente cedida pelo amigo Alberto)
 
Cá está o “Ché da Pedrada"
 
Descida em direcção ao fojo do lobo com o planalto de Lamas do Vez a dominar a paisagem
 
Vista a partir do interior do fojo do lobo para as montanhas da serra do Gerês/Xurés 

Lobos, esses não os vimos, mas um simpático pastor residente na Branda de Gorbelas contou-nos algumas histórias sobre eles. Os lobos, esses seres míticos que pontilham o imaginário não só daqueles que obtêm da serra o seu sustento, mas também dos que tiram dela verdadeiro alimento, não para o corpo, é claro, mas para a alma. O fim do dia aproximava-se, as encostas da montanha iam lentamente ficando cobertas pelo manto negro de um crepúsculo anunciado, e Junqueira ali estava, a última branda a ser visitada, melhor ainda, a ser simplesmente contemplada. O dia já ia longo, as pernas já se ressentiam, o espirito estava, enfim... saciado.
 
Branda de Gorbelas
 
Lentamente, o fim do dia aproximava-se... 

Aldeia de Tibo coberta pelo manto negro de um crepúsculo anunciado 

Pedro Durães
 

Nota: Gostaria de deixar uma palavra de gratidão ao amigo Alberto pelo convite, e também a todos os companheiros/as que participaram nesta memorável caminhada por esses montes fora. Que venha a próxima!
 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

BotaPróMonte Férias 2013- “À Descoberta do Parque Natural Sintra-Cascais” (Parte III)


Praia do Guincho + Cabo da Roca + Praia da Adraga
Foto-reportagem: 

Dunas na praia do Guincho

Disse-nos um vendedor de bolas de Berlim quando chegamos: «Não se preocupem. Manhã de nevoeiro, tarde soalheira.» E não é que o homem tinha razão :)
Desfrutando da calma da praia durante as primeiras horas da manhã, antes da “invasão” da malta da capital
A praia do Guincho é bastante frequentada por surfistas, desde simples aprendizes aos mais experientes

Uma boa forma de “matar” o tempo é tentar apanhar os tipos a surfar com as máquinas fotográficas

 Farol no Cabo da Roca
 
Vista para norte. Já reparam no trilho que segue junto à escarpa?

Vista para sul

Cabo da Roca. «Aqui… Onde a terra se acaba e o mar começa...» Assim o disse Camões

Esta acabou por ser a verdadeira surpresa em termos de praias. A lindíssima praia da Adraga
 
Sem dúvida alguma um bom local para “acampar” durante o dia

Vista para sul 

Vista para norte

A praia encontra-se literalmente escondida numa pequena abertura entre as falésias

E enquanto olhava para as escarpas encontrei esta tripla…

… Olhem só, encontrei mais uma! Ai o “bichinho” das caminhadas…
 
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

BotaPróMonte Férias 2013- “À Descoberta do Parque Natural de Sintra-Cascais” (Parte II)


Quinta da Regaleira + Parque e Palácio de Monserrate

Foto-reportagem:
Esta foto até ficou engraçada…


 Percorrendo o interior da terra através de um percurso subterrâneo podemos aceder ao ícone da Quinta da Regaleira: o Poço Iniciático
 
 Poço Iniciático: um espaço de sagração, hermética e alquímica, onde se intensifica a relação entre a Terra e o Céu

Portal dos Guardiões
 
 
O edifício da Estufa é adornado por um painel de azulejos onde seis sacerdotisas oferecem os primeiros frutos e flores do ano a Deméter, deusa grega que preside à agricultura e colheitas

   Representação de um athanor (forno alquímico), curiosamente localizado numa das fachadas da capela
 
 Este local pareceu-nos um bom sítio para descansar


Fachada principal do Palácio da Regaleira
 
 Cascata (quase invisível) de Beckford
 
 Não, não estamos no templo de AngKor Wat (Camboja)
 
 Palalácio de Monserrate… é necessário dizer mais alguma coisa?

 Esta foi a única fotografia que tirei no interior dos palácios que visitei, a beleza é tanta que para mim não vale a pena andar a perder tempo com a máquina fotográfica
 
Torre Sul. Antigos aposentos de Francis Cook, mentor do Parque e Palácio de Monserrate
 
 Fonte do Tritão

Casa da Pedra, actualmente funciona como sede da Parques de Sintra-Monte da Lua
 
 
A imponência das árvores é impressionante