«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

terça-feira, 25 de junho de 2013

Montalegre- Uma Ideia… Da Natureza!

23 de Junho

As fotos que se seguem (ao contrário de quase todas as fotos que se encontram publicadas no blogue) não retratam mais uma “aventura” por esses montes fora. Pelo contrário, foram obtidas aquando de um simples passeio de lazer, onde poucas vezes saímos fora do carro e, mesmo não deixando a estrada muito longe, visitamos belos locais.
Decidi levar a família a visitar Montalegre. Como é óbvio, não pude levá-los a conhecer todos os locais de interesse do concelho, pois para isso seria necessário não um dia, mas pelo menos uma semana inteira! Seja como for visitámos a Albufeira do Alto Rabagão (Pisões), a vila de Montalegre e o incontornável castelo medieval, o sempre obrigatório Eco-Museu do Barroso e Porta do PNPG, e, claro, aproveitei a "desculpa" do carro para um pouco de off road, onde também eu fiquei a conhecer o bonito parque de lazer da Corujeira (onde comemos o nosso pic nic) e a capela da Senhora das Treburas, localizada no topo de uma colina e de onde se obtém uma panorâmica avassaladora sobre o lençol de água da Albufeira do Alto Rabagão.
Apesar de me abster das caminhadas neste dia, a verdade é que passei um belo Domingo, com a companhia da família, rodeado da magia e da beleza das Terras do Barroso.
Pedro Durães
 
Para consultares o Mapa Turístico de Montalegre clica em Frente e Verso. Boa viagem!

Fotorreportagem:
 
Lençol de água da Albufeira do Alto Rabagão (Pisões). Ao fundo encontra-se o imponente “Deus” Larouco
 
Vila de Montalegre vista a partir de um miradouro localizado no Parque de Lazer da Corujeira

Zoom ao centro histórico de Montalegre 
Edifício do Eco-Museu do Barroso e Porta do PNPG
 
Castelo Medieval de Montalegre
 
Sem dúvida alguma uma das mais belas torres de menagem dos castelos medievais portugueses
 
Planalto Barrosão. Na fotografia podemos ver em baixo o jovem Rio Cávado, cuja nascente localiza-se muito perto do cume da Serra do Larouco
 
Capela e cruzeiro na Senhora das Treburas
 
Fantástica vista sobre a Albufeira do Alto Rabagão (Pisões). Ao fundo podemos ver a linha de cumeada da Serra do Barroso




sexta-feira, 21 de junho de 2013

Serra da Estrela- “Acampamento no Covão D’Ametade” (II Dia)


II Dia (16 de Junho): PR5 "Rota do Maciço Central"

Fotorreportagem:
Os primeiros raios de luz iluminam o Cântaro Magro… 

E o Vale Glaciar do Rio Zêzere também!
 
O nascer de um novo dia é algo de verdadeiramente mágico

Cá estão eles: Cântaro Raso (esquerda), Cântaro Magro (centro) e Cântaro Gordo (direita)
 
Vale da Candeeira
 
Ribeiro da Candeeira (afluente do Zêzere)
 
Abrigo de pastores
 
  As cores conseguem vocês ver, mas os cheiros esses ficarão gravados na memória de quem por lá passou
 
Lagoa do Peixão (também conhecida como Lagoa da Paixão) e o imponente Fragão do Poio dos Cães
 
Para terem uma ideia da beleza do cenário (reparem bem no som de fundo)
 
Quem diria, às portas do Verão e a Serra da Estrela ainda com neve/gelo
 
Antes o silêncio carrancudo das fragas que o calor do ruído humano na Torre
 
E começava por esta altura uma espécie de “tour às lagoas NATURAIS da Serra da Estrela”
 
Uma pequena lagoa, mas com a temperatura da água bastante agradável
 
E mais uma…

O maciço central é um autêntico espinhaço de granito
 
Não são bolas de naftalina…
 
Ora aí está uma bem grande…
 
… e outra mais pequena
 
Vista para as Salgadeiras
 
Vale da Candeeira visto a partir da base de acesso ao cume do Cântaro Gordo
 
  Chegada ao mítico Covão D’Ametade
 
Gostaria de deixar uma palavra de apreço ao camarada Filipe Mostardinha pelos tão bons momentos de companheirismo e convívio e também pela sua inesgotável energia e leveza de espírito com que parte para a montanha. Um Grande Bem-Haja!
Pedro Durães


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Serra da Estrela- “Acampamento no Covão D’Ametade" (I Dia)

I Dia (15 de Junho): PR2 "Rota do Javali" + PR1 "Rota do Poço do Inferno"

Andei sempre à roda, à roda,

E sempre à roda de ti…


«(…) Alta, imensa, enigmática, a sua presença física é logo uma obsessão. Mas junta-se à perturbante realidade uma certeza ainda mais viva: a de todas as verdades locais emanarem dela. Há rios na Beira? Descem da Estrela. Há queijo na Beira? Faz-se na Estrela. Há roupa na Beira? Tece-se na Estrela. Há vento na Beira? Sopra-o a Estrela. Há energia eléctrica na Beira? Gera-se na Estrela. Tudo se cria nela, tudo mergulha as raízes no seu largo e materno seio. Ela comanda, bafeja, castiga e redime. Gelada e carrancuda, cresta o que nasce sem a sua bênção; quente e desanuviada, a vida à sua volta abrolha e floresce. (…) Não. Não se pode fugir ao magnetismo do íman que tudo atrai e que tudo dispõe. E é justo. Se alguma coisa de verdadeiramente sério e monumental possui a Beira, é justamente a serra. Portugal tem outras mais belas e agrestes- o Gerês, por exemplo. Outras com mais incorruptibilidade- o Marão, para não ir mais longe. Outras mais luxuriantes- como Monchique. Mas nenhuma se lhe compara na maneira larga como expande a respiração, no modo aberto como desdobra o manto. Em qualquer uma das suas rivais a emoção que se sente é sempre um espasmo. Um frémito rápido e agudo. Na Estrela, porém, é um demorado fruir de sensações, feitas de surpresas sucessivas. Há nela as três velhas dimensões necessárias a um tamanho: comprimento, largura e altura. O Marão é um seio que entumesceu num corpo; o Gerês é um espinhaço que se fendeu ao meio; Monchique um jardim suspenso. Mas a Estrela é uma expiração de pedra que o quis ser sem literatura. As irmãs são mais cenários do que realidade, ela é mais naturalidade do que artifício. Por isso apenas se lhe apreende a grandeza tocando-a, como o tamanho de Gulliver só se descobriu quando os anões lhe escalaram o arcabouço. A Borrageira e o Pé de Cabril, do Gerês, as fragas da Ermida e a Pena Suar, do Marão, vêem-se de muito longe, como bandeiras festivas nos mastros das romarias. A Estrela, essa, guarda secretamente os ímpetos, reflectindo-se ensimesmada e discreta no espelho das suas lagoas. Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo. As suas Penhas Douradas, refulgentes já no nome, os seus Cântaros rebeldes a qualquer aplanação, os seus vales por onde deslizaram colossos de gelo, nos brancos tempos do quaternário. Revela, sobretudo, recantos quase secretos de mulher. Fontes duma pureza original, cascatas em que a água é um arco-irís desfeito, e conchas de granito onde se pode beber a imagem. O tempo demorou-se na solidão e no silêncio das suas lombas, e pôde construir à vontade. Abrir ruas, esculpir estátuas, rasgar gargantas, e até deixar desenhado o próprio perfil na curva de raio infinito de cada recôncavo.
Perder-se por ela a cabo num dia de neve ou de sol, quando as fragas são fofas ou há flores entre o cervum, é das coisas inolvidáveis que podem acontecer a alguém. Para lá da certeza dum refúgio amplo e seguro, onde não chega a poeira da pequenez nem o ar corrompido da podridão, o peregrino esbarra a cada momento com a figuração do homem que desejaria ser, simples, livre e feliz. Um homem de pau e manta, a guardar um rebanho- criatura ainda impoluta do pecado original, para quem a vida não é nem suplício nem degradação, mas um contínuo reencontro com a natureza, no que ela tem de eternamente casto, exaltante e purificador.»
(Excerto retirado da obra “Portugal”, com o título “A Beira”, do poeta/escritor Miguel Torga)

 
Fotorreportagem:
Panorâmica sobre a Vila de Manteigas
 
Caminho florestal…
 
… que pouco tempo depois se transformou num fantástico trilho de pé posto
 
Se perguntarem o porquê de em quase todas as matas (onde é visível a acção do homem) existir uma forte predominância das manchas arbóreas de pinheiro, ou então carvalho, pela fotografia já têm a resposta a essa mesma pergunta
 
Ribeira de Leandres
Cascata do Poço do Inferno
 
Vale da Ribeira de Leandres
 
Casa típica na serra
Este pequeno trecho do trilho é fenomenal!
Lá está Manteigas, completamente “encravada” no meio das montanhas da Serra da Estrela
 
Uma mariola “Beirã”
 
Novo caminho florestal
Bosquete de bétulas
 
  Passagem por um antigo caminho rural, já perto do fim do percurso
 
Durante os próximos dias ficará concluída a fotorreportagem do segundo e último dia. Espero que entretanto tenham gostado das fotografias do primeiro dia…
Pedro Durães