«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

segunda-feira, 25 de março de 2013

Serra da Cabreira- À Procura do «Índio da Cabreira»

 23 de Março

6 meses depois, o regresso à serra da Maçã (pequeno conjunto de montanhas localizado na vertente sul do concelho de Montalegre). Ao contrário da última incursão, desta vez iniciamos a abordagem à serra a partir da aldeia das Torrinheiras, um pequeno aglomerado rural localizado numa zona de transição demográfica entre os concelhos de Montalegre (Trás-os-Montes) e Cabeceiras de Basto (Minho). Durante a viagem de carro fomos brindados com uma descarga de chuva durante praticamente todo o percurso, e, chegados à aldeia, ela continuava… Timidamente, lá saímos do carro e fomos tirando a tralha para fora. Frio, vento, chuva… Mau! Saímos da aldeia e nem sequer tivemos a oportunidade de observar o típico casario serrano, edificado com granito da região, em pequenos aglomerados habitacionais do tipo concentrado, tal era o nevoeiro cerrado que não permitia ver mais do que meia dúzia de metros em redor.
Tomando um caminho rural que liga a aldeia a um pequeno conjunto de lameiros localizado no sopé do cume das Torrinheiras (daí talvez advenha o nome da aldeia), entramos naquela que é conhecida localmente como serra da Maçã (embora nas cartas militares a sua descrição seja serra das Torrinheiras). Em relação ao cume, esse, nem vê-lo! O nevoeiro continuava a esconder as montanhas em redor, apesar de a chuva ter cessado, o que contribuiu para reforçar o optimismo em relação ao estado do tempo para o resto do dia. A pouco e pouco, íamos tendo vistas parciais da paisagem serrana, cuja vegetação é composta essencialmente por matos rasteiros (urze, carqueja…), sendo perfeitamente notório o uso do solo por parte dos pastores locais, dada a abundância de pasto natural para o gado (maioritariamente bovino e algum caprino). Foi também por esta altura que deparamo-nos com um cenário macabro. Uma grande carcaça de um garrano, estendida no chão, apenas com o esqueleto relativamente preservado. Aliás, ao longo do dia deparamo-nos com pelo menos mais duas carcaças, o que leva a crer que supostamente a alcateia da Cabreira tem andado bastante activa nos últimos tempos, apesar de odiada e perseguida pelos pastores locais, tal como acontece com todas as outras alcateias.
 
As casas da aldeia? Nem vê-las…
 
… Tal como o cume das Torrinheiras 
 
É mesmo verdade. Eles (ainda) andam por aí... 
 
Pormenor de um pequeno trecho do trilho
 
Passagem por um lindíssimo vidoal de montanha
 
Continuando por um trilho de pé posto, dirigimo-nos à capela da Senhora dos Aflitos, localizada no cume de uma pequena colina. O local permite obter vistas deslumbrantes, abarcando de uma só assentada as montanhas da serra da Cabreira, Gerês, Larouco, Barroso… Depois de pararmos um pouco para nos deleitarmos com as vistas, iniciamos a descida até ao vale da ribeira de Lamas do Miro. 
 
Ao fundo é possível avistar a vila de Salto (Montalegre). Um pouco mais acima encontra-se a serra do Barroso, ainda envolta em neblina
 
Descida para o vale da ribeira de Lamas do Miro 
 
Vale da ribeira de Lamas do Miro 
 
O próximo objectivo consistia em encontrar o mítico «Índio da Cabreira». Trata-se de uma escultura cravada na rocha, onde é visível a face de um índio. Quem terá esculpido essa face? Algum pastor? Um montanheiro? Ou algum hippie da “Família Rainbow”? O local onde se encontra a escultura coincide com o local de concentração de um acampamento que decorre anualmente naquela zona da Cabreira, e que junta alguns milhares de hippies, vindos dos 4 cantos do mundo.  
 
Cá está ele, o «Índio da Cabreira»
 
Se não prestarmos um pouco de atenção, a escultura passa despercebida 
 
Afinal havia uma outra escultura, esta visivelmente mais recente
 
  Para que não restem dúvidas…
 
Depois de encontrada e fotografada a escultura (pelos vistos havia outra), era altura de encontrar um local para almoçar. Deixando o estradão para trás, entramos numa densa floresta, aproveitando a ocasião para tirar muitas fotografias, tal era a diversidade dos diferentes tons de cores que íamos encontrando pelo caminho. Decidimos almoçar numa clareira, o que permitiu que de vez em quando os raios de sol entrassem, aquecendo o local, e nós também!
 
Um facho de luz ilumina um pequeno lameiro lá ao fundo 
 
Há magia nos bosques da Cabreira! 
 
Bosque com diferentes tons de cores
 
Havia chegado a altura de iniciarmos o regresso à aldeia das Torrinheiras, mas não sem antes darmos um salto ao curral da serra da Maçã, onde alguns bovinos pastavam, juntamente com uma família de garranos. Estranhamente, os garranos não se mostraram minimamente incomodados com a nossa presença, inclusive chegamos a passar junto deles, a escassos 3,4 metros, sem que os mesmos tirassem os olhos do solo! Já se fossemos lobos…
Chegados à aldeia, ainda decidimos caminhar um pouco pelas ruelas graníticas, observando e admirando alguns exemplares da arquitectura rural transmontana, desde as tradicionais alminhas, aos velhos cruzeiros revestidos por líquenes, sem faltar, é claro, os lameiros, delimitados pelos tradicionais muros de pedra sobreposta.
 
Passagem pelo curral da serra da Maçã, onde já era possível observar o cume das Torrinheiras (canto superior direito)
 
Uma última vista de olhos para o… vocês sabem…
 
Aldeia das Torrinheiras com os seus típicos lameiros
 
 
Na viagem de regresso ainda paramos em Cabeceiras de Basto para visitar o majestoso mosteiro de S. Miguel de Refojos, paragem obrigatória para quem passa por estas bandas. E não nos esquecemos de visitar também o emblemático "Basto", um antiquíssimo guerreiro esculpido em granito (ao longo dos tempos foram efectuadas algumas alterações estéticas) e ao qual supostamente tem origem o nome dos concelhos das denominadas Terras de Basto (Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto e Celorico de Basto). Aconselho vivamente!
 
Nota: Queria deixar uma palavra de agradecimento ao camarada Hélder Miranda pela cedência de algumas fotografias, enriquecendo desta forma este post.

Pedro Durães 
 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Férias Equestres em Território do Lobo e dos Cavalos Selvagens‏

 

 
Se pretende mais do que umas típicas Férias, a Ecotura tem o programa para si.
Férias equestres, de Segunda a Sábado - com 6 dias de actividades e 5 noites em turismo rural, ou de Segunda a Quarta - com 3 dias de actividades e 2 noites em turismo rural.
Umas férias únicas inesquecíveis, com uma variedade de actividades de natureza que visam a descontracção e a calma.
Inclui: Aulas de equitação e maneio (só para quem precisar/iniciados). Passeios a cavalo pela montanha em território do Lobo. Saídas para tentar observar animais selvagens. Mergulhos nas piscinas naturais do rio Laboreiro. Banhos de águas quentes termais para relaxar. Passeios pedestres, pequenos e suaves, por antigos caminhos de grande beleza e valor ecológico que o levarão a descobrir os pequenos tesouros da serra da Peneda. Piqueniques ao Luar com astronomia e merendas no campo com produtos regionais locais.
Para mais informações consulte o sita em www.ecotura.com / E-mail ecotura@ecotura.com / Telemóvel 967 442 217.
 

sábado, 16 de março de 2013

Chove...


 
Vale do Alto Homem, Gerês
 

Leiria, 6 de Novembro de 1939
Memória
Chove.
Mas, afinal, já chove há muitos anos…
O mundo dos meus pés nunca se move
Sem chuva, tristeza e desenganos…

Apesar disso,
Lembro-me perfeitamente bem
Do luminoso sol de certo dia…
Um lindo sol que doirava
Num toco que rebentava
Uma folha nascia.

(Poema da autoria de Miguel Torga, retirado da obra “Poesia Completa”)