«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

domingo, 11 de novembro de 2012

Reflexões...


Gerês, 31 de Outubro de 2009
 

Já por diversas ocasiões me questionaram do porquê deste deambular, aparentemente inútil e inconsequente, por esses montes fora.
A resposta geralmente varia, consoante a pessoa em questão. A todas aquelas para quem a montanha não é mais do que um local perigoso, onde se sofrem acidentes, ou simplesmente faz muito frio, sarcasticamente respondo com um simples e seco: «Coloca lá as botas, e logo saberás…». Quando essa pessoa é alguém por quem tenho algum tipo de afectividade, logo uma maior predisposição para tentar explicar o que para muitos é inexplicável, vem-me á memória uma pequena frase, lida algures no passado e para sempre guardada no «baú das memórias literárias». Falo de um pequeno excerto, retirado da obra “Vindima” (1945), da autoria do poeta Miguel Torga. A certa altura, uma das personagens do romance é precisamente questionada sobre os motivos desse deambular contingente, e a personagem, calmamente, relembra que «…o encanto todo está precisamente nessa vadiagem gratuita, na palpitante experiência de romper caminhos ignorados e que ninguém mais percorrerá, no delicioso imprevisto que nos espera a cada momento. É, afinal, a fascinação do regresso à primitiva pureza, o reencontro com a vida ainda não manchada pelo verdete da náusea contemporânea.»
Talvez seja essa a verdadeira e única razão da paixão que sinto pela montanha… ou simplesmente talvez nem queira saber dos motivos… Talvez o caro leitor compreenda agora o porquê e a razão de ser deste blogue. Caso não compreenda, resta-me apenas dizer: «Coloca lá as botas, e logo saberás…» 

Pedro Durães


Um comentário:

Alberto Pereira disse...

Como te compreendo, amigo! Mas todas essas pessoas estão longe e não conseguem alcançar, ou melhor, não nos conseguem alcançar! Grande abraço!

Alberto P.