«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

domingo, 23 de setembro de 2012

Serra da Cabreira- “Á Descoberta da Serra da Maçã”

22 de Setembro de 2012

Introdução
Localizada num extenso vale, numa zona de transição geográfica entre a serra da Cabreira e a serra do Barroso, a pacata vila de Salto, em Montalegre, é um dos exemplos da curiosa simbiose entre o homem e a natureza. Neste pitoresco recanto trasmontano a paisagem foi moldada de uma forma ordeira e harmoniosa.
Já havia anteriormente percorrido o Trilho de D. Nuno que desenvolve-se precisamente a partir da vila de Salto, indo ao encontro de várias aldeias vizinhas, através de belíssimos caminhos rurais, onde podemos disfrutar da calmaria típica das aldeias do interior do país, onde é notório a luta inglória travada pelos «resistentes» locais contra uma desertificação que vem aumentando de ano para ano. Mas enganam-se aqueles que pensam puder vergar esta gente, pois tal como se diz por terras do barroso: «Ser barrosão não é uma opcção, mas antes uma condição!»
Pretendia também explorar um pouco mais a vertente oeste do percurso homologado, precisamente aquela em que o trilho se dirige para a capela da Sra. dos Aflitos (miradouro natural sobre a serra da Cabreira), e a partir desse ponto deixar o percurso homologado para trás e penetrar na «desconhecida» serra da Maçã.


Descrição de percurso

Assim que entramos no bonito parque de lazer do Torrão da Veiga, dirigimo-nos para a ponte sobre a ribeira do Torrão. Transposta a ponte, viramos á direita, e um pouco mais á frente acabamos por entrar num caminho florestal, percorrendo um denso e refrescante bosque, onde o abundante pinheiro-silvestre convive pacificamente com frondosas bétulas e viçosos carvalhos.
Passagem por um belo pinhal
 
Transposto o bosque, chegamos á recôndita aldeia de Paredes. Trata-se de uma das mais típicas e bem preservadas aldeias da Cabreira. Após uma rápida visita à aldeia, onde ainda trocamos algumas palavras com um jovem pastor, dirigimo-nos para o interior da serra. Utilizando um antigo caminho rural, começamos a ganhar altitude progressivamente, subindo ao longo das verdejantes encostas da Cabreira, que por esta altura eram banhadas por um sol de oiro, e o céu, esse, encontrava-se coberto por uma manta de um azul celestial.
Muro de pedra sobreposta, com as encostas da serra da Maçã como pano de fundo
 
 
«Congestionamento» á saída da aldeia de Paredes
 
 Deixando para trás a aldeia de Paredes
 
Assim que atingimos a capela da Sra. dos Aflitos podemos finalmente descansar um pouco e aproveitar para contemplar uma paisagem fantástica. Tínhamos aos nossos pés a serra da Maçã, e lá do alto, não muito distante, o Talefe (o ponto mais alto da serra da Cabreira, com cerca de 1200m). À medida que virávamos as nossas cabeças o panorama não cessava de nos surpreender. «Epá, olha ali o Gerês!», exclamou um. Pouco tempo depois: «Olha a serra do Barroso! Os Pisões ficam para aqueles lados», dizia outro. «Vamos mas é andar, que já estou a ficar com fome!», arrematou alguém.
Cruzeiro da capela Sra. Dos Aflitos

 «Janela» para o Gerês
 
Panorâmica da serra da Maçã, e lá em baixo o estradão de acesso ao curral

Como o plano era de almoçar no curral da serra da Maçã, tínhamos 2 opções a considerar. A primeira, mais fácil, consistia em apanhar o estradão florestal, junto à ponte da ribeira de Lamas do Miro, e seguir o estradão em direcção ao curral. A segunda, mais difícil, baseava-se na travessia do «mar de fetos» que se estendia á nossa frente, ao longo de pequenos e acessíveis vales. Claro está que o bom senso prevaleceu, e optamos por «nadar» no dito mar. Granda Mário, fazer tudo isto de calções, por entre a carqueja e o tojo é de homem!
Onde está Wally? Parte I

  Onde está Wally? Parte II

Chegados ao curral paramos para almoçar, tendo como companhia o gado da casa (barrosão, lá está) e os garranos, que aparentemente abundam por estes lados. Evidentemente, almoçamos com relativa distância em relação aos nossos amigos. Não é que não nos importássemos de partilhar a refeição, mas as boas maneiras á mesa não são propriamente as mais civilizadas… se é que me faço entender ;)
Curral da serra da Maçã, com o Alto das Torrinheiras no canto direito da imagem
 
Findo o manjar, rumamos em direcção á aldeia das Torrinheiras por um caminho que liga a referida aldeia ao curral. Aliás, o curral da serra da Maçã é utilizado por pastores de várias aldeias vizinhas e são vários os caminhos de acesso, é tudo uma questão de escolha do ponto de partida. Um pouco mais á frente encontramos uns marcos, muito antigos por sinal. Fica a dúvida sobre a sua origem. Serão de origem Celta? Romana? Medieval? Pelo que consegui apurar, actualmente servem como delimitação de 2 regiões, Minho e Trás-os-Montes e Cabeceiras de Basto e Montalegre, respectivamente. Para terminar, só um pequeno apontamento. Os tipos que colocaram a sinalética de «ZONA DE CAÇA ASSOCIATIVA» não podiam colocar o raio da placa noutro lugar… Vê-se cada coisa por esses montes fora…
Rocha a emergir sobre um «mar de fetos»

A placa fica mesmo bem, não fica?

Nos ditos marcos, flectimos para a esquerda, não seguindo ao encontro da aldeia das Torrinheiras. A pouco e pouco a serra da Maçã ia ficando para trás e o planalto barrosão estendia-se agora diante de nós, embora ainda distante. Aproveitamos o panorama para tirar a foto da praxe e debater o rumo a seguir. Uma vez mais o bom senso impôs-se e decidimos atalhar por novo bosque, bastante denso por sinal, por um caminho perfeitamente visível e bem delineado. Pena foi o facto de o raio do caminho simplesmente não existir… mas a coisa até se compôs e conseguimos apanhar mais um caminho florestal, que acabou por nos conduzir sem mais sobressaltos á aldeia de Corva, onde paramos para «meter gasolina», antes da estirada final em direcção á vila de Salto. 
A Becas a c**** para a foto
 
O caminho «perfeitamente visível e bem delineado» pelo bosque
 
Anta no parque de lazer do Torrão da Veiga
 
Esta fotorreportagem é dedicada á nossa amiga Teresa, que por motivos de saúde não pôde participar em mais uma marcha por estes montes fora. Ficam os desejos das melhoras e um beijinho do tamanho do mundo deste pessoal que continua andar 100Destino…
Pedro Durães

 


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Imagens Soltas I

 
Parque Natural do Alvão (25 de Outubro de 2008)
 
 
Na imagem anterior, tirada aquando das primeiras idas ao Parque Natural do Alvão, podemos observar alguns dos valores naturais característicos desta região montanhosa de Trás-os-Montes. A fotografia foi captada na zona de Lamas de Ôlo, numa área de planalto, a cerca de 1000 metros de altitude. A altitude e o efeito da continentalidade, originam o aparecimento de espécies características das montanhas altas continentais, sendo o domínio dos carvalhais de altitude, como o carvalho negral (Quercus pyrenaica) e dos vidoais de bétulas (Betula alba).
Devo salientar também a presença dos lameiros, autênticos jardins botânicos, que ilustram uma interessante e cada vez mais rara harmonia entre o Homem e a Natureza. Neles podemos encontrar plantas como a búgula piramidal (Ajuga piramidalis) ou a espadana-dos-montes (Gladiolus illyricus). No conjunto da flora destacam-se ainda espécies singulares e de grande valor botânico como a rorela (Drosera rotundifólia) e o narciso (Narcissus asturiensis).
Pedro Durães