«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Serra do Gerês- “Trilho das Rocas”

14 de Julho de 2012

O plano para o dia consistia em fazer um percurso exploratório em torno da «desconhecida» serra da Maçã, mas uma mudança de planos de última hora acabou por nos levar uma vez mais para a serra do Gerês. Foi um dia passado em família, com a companhia do meu «cota» e do meu «primaço».
Como ambos são 2 apaixonados pelo Gerês, decidi efectuar um trilho que tinha agendado para o mês de Agosto, mas com uma pequena alteração, teria de ser percorrido em apenas 1 dia, sem pernoita L.
8h30m da manhã e já estava-mos no Arado, prontos para mais um dia de serra. Subimos a escadaria de acesso ao miradouro sobre a cascata do rio Arado, tiramos a foto da praxe e apanhamos o trilho em direcção ao vale do rio Teixeira.
Cascata do Arado

A subida inicial é óptima, pois para além de permitir desenferrujar os músculos rapidamente (apesar da distância desde o miradouro sobre a cascata do Arado até ao Vale do Teixeira ser relativamente curta, o desnível é bastante considerável), as vistas da ponte do Arado, com o bonito bosque que se forma ao longo das margens do rio, são de facto lindíssimas. Imaginem agora a foto que se segue coberta com um manto branco. Somos facilmente transportados para uma qualquer estância turística alpina, não somos?
Ponte sobre o rio Arado

Assim que atingimos o vale do Teixeira, uma fria corrente de vento, que afunila e acaba por ganhar velocidade á medida que vai descendo o vale, atingiu-nos em cheio na cara. Outra foto da praxe (tirada a correr que o vento era frio), e toca a descer até á margem do rio.
Como não podia deixar de ser, a foto da praxe


A partir daqui é um verdadeiro passeio pelo «campo», através de um bonito trilho, sobranceiro ao rio Teixeira, e que nos conduz suavemente e pausadamente ao prado do Teixeira. Paramos para lanchar e desfrutar da calmaria do lugar.
Prado do Teixeira


As vistas sobre o longo e majestoso vale do Teixeira sucediam-se, e por todo o lado pequenos ribeiros desciam as encostas da montanha, indo ao encontro do tímido Teixeira, e era uma alegria vê-los, juntos, a cantar e a dançar pelo vale abaixo.
É impressionante a vastidão e a imponência do vale do Teixeira


Assim que passamos pelo curral do Camalhão iniciamos a curta, mas árdua subida da Chã da Presa, e mais á frente, em Chã da Fonte, apanhamos o trilho que vem de Mourô, e que contorna o Borrageiro (1430m), permitindo vistas deslumbrantes sobre vários picos da serra do Gerês.
A árdua subida da Chã da Presa

Vista da Lomba do Pau, com o pico das Albas (1352m) ao fundo, no centro da imagem


Após a travessia do planalto da Lomba do Pau, viramos á direita, seguindo o rasto de umas escassas mariolas. Durante o caminho demos de caras com um «emplastro», que teimosamente pediu para ficar numa bonita foto que tirei ao prado do Conho, enfim… coisas do Gerês.
Olhem só para este «emplastro». Há cada calhau nesta serra do Gerês


Enquanto contornava-mos o amontoado granítico de Lama de Borrageiras encontramos um pequeno grupo de montanhistas, que vinham precisamente do Arado, mas em sentido contrário ao nosso. Perguntamos qual o melhor caminho para descer para o prado da Rocalva, o qual indicaram-nos amigavelmente, evitando assim saídas fora do trilho, correndo riscos desnecessários. O prado da Rocalva estava transformado num verdadeiro jardim do Éden, coberto de flores, e as suas cores e cheiros transmitiam uma agradável sensação de bem-estar e profunda leveza de espírito. Findo o manjar, colocamos novamente a mochila às costas e continuamos a marcha, conforme planeado. 
O jardim do Éden do prado da Rocalva


Daqui para a frente seria terreno desconhecido para nós. Mapa na mão, e toca a procurar mariolas. Facilmente encontramos o trilho que parte da Rocalva e que contorna a Roca Negra (daí o nome Trilho das Rocas), e que permite uma vista digna de cortar a respiração sobre o imponente desfiladeiro do rio Conho. Como não podia deixar de ser, é obrigatório a visita ao «miradouro» sobre a fraga do Cotelo de Pias (obrigado pela informação José J). Emergindo de forma abrupta das entranhas da terra, é sem dúvida uma das mais bonitas e imponentes fragas do Gerês. 
Desfiladeiro do rio Conho, com a fraga do Cotelo de Pias no canto esquerdo da imagem


Descemos até ao sopé da Roca Negra, onde encontramos mais um curral, visivelmente abandonado. Tendo em conta o estado de degradação que o mesmo se encontra, penso que já não é utilizado há muito tempo. Alguém sabe o seu nome?
A Roca Negra bem lá em cima


A partir daqui o trilho segue ao longo da encosta oeste do desfiladeiro do rio Conho, por um fantástico caminho de pé posto, ao longo da linha de cumeada. Continuando pelo trilho, acabamos por ir ao encontro de mais um curral, desta feita situado no sopé do pico da Arrocela, e com uma vista privilegiada sobre o desfiladeiro da Corga da Giesteira.
Tão crescidinho e ainda a querer «mamar na teta»


Após uma visita rápida ao curral, descemos por um sinuoso caminho que nos levou até mais um abrigo, sobranceiro á Corga da Giesteira. A partir daqui foi só descer até ao Arado, onde já estava instalado o habitual arraial de verão. Faz-me imensa confusão ver pessoal de «chinelos de dedo» e «calções com florzinhas» no meio da montanha, mas cada um vive a montanha á sua maneira, nada contra, desde que a respeitem.
Pedro Durães



Para consultares o mapa do trilho, clica AQUI